Quando entregamos ela no berço, sem vida, minhas pernas perderam a força, saiu um grito da minha alma. Sai daquela UTI me deixou sem ar e eu lembro dessa sensação como se fosse hoje. Escrevo isso sentindo um pouco dessa falta de ar.
Alice foi sepultada com a roupa que a Dindá deu, com uma raposinha que vestia uma roupa com a mesma estampa. Ela sempre pareceu uma boneca e lá não seria diferente.
Não é humano enterrar um filho ou não deveria ser. Nenhuma dor se compara com essa e nenhum filho substitui aquele.
Em todo esse relato, percebo que não contei o mais importante.
Alice só sorria com o nosso sorriso. Não tinha brinquedo, desenho ou brincadeira que fazia ela rir, sem ter o nosso sorriso junto. Se quisesse ver ela sorrir, bastava sorrir pra ela. E esse é o maior motivo pra eu continuar sorrindo, mas não o único.
Alice era feliz com pouco e com tantas limitações. Ela só queria ter saúde, então se eu tenho, preciso fazer valer.
A passagem dela foi de muito sofrimento e se ela veio pronta para o céu, sua vinda nesse mundo só existiu para evolução de outras pessoas. Então seria injusto com ela, me entregar ao sofrimento. A passagem dela pela minha vida não pode me destruir, pelo contrário, me faz querer ser uma pessoa muito melhor e muito mais feliz.
Alice se foi levando muito de mim, mas deixando muito dela comigo.
E se fosse necessário vivermos tudo isso novamente, para tê-la conosco esses dois anos, viveríamos.
Alice foi a maior revolução das nossas vidas, o maior ensinamento e a maior prova de que Deus existe e sua vontade é boa, perfeita e agradável.

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