Por Duda Lacerda
Poucos me conhecem por meus hobbies. Me encontrei na arte, seja ela na literatura, na história, na música, na escrita e nas pequenas coisas, somente os mais íntimos sabiam que em minha vida toda onde mais me encontrava era por meio dos desenhos. A parte mais sublime da minha intimidade agora foi vista por muitas pessoas e é claro que aceitei embarcar nesse "projeto" porque seria mostrado tudo que sempre representei nos meus desenhos... os meus sentimentos.
Foi com muita felicidade que apresentei a todos mais uma parte de mim. Onde no processo de criação senti muito amor, alegria, saudade e também a dor do luto. É a história de Alice pelos meus olhos, minha imaginação e com todo meu coração!
E agora que todos conhecem "A história de Alice", vou dividir com você minhas inspirações e como foi o processo de criação de cada desenho.
A primeira página, não foi o primeiro desenho que fiz, pois foi um dos que mais tive dificuldade em pensar no que iria transmitir, por ser o primeiro impacto ao começar a história. Depois de muitos desenhos feitos, pensei, porque não tornar uma foto especial da volta de Alice para casa em um desenho, e claro a Fernanda teria que estar presente, ela que sempre foi o verdadeiro lar de Alice.
Na segunda página, desde o início tinha cogitado desenhá-la no carro voltando pra casa, passei a ideia pra Fernanda e ela me contou sobre a roupinha que ela estava vestida pra conhecer a família nessa tão sonhada volta. Decidi então reproduzir o macacão de oncinha, afinal era a Alice Marruá!!! A foto do carro foi encontrada quando já havia terminado o livro, e coincidentemente o desenho estava igual a foto.
O desenho do casamento, queria que fosse fiel ao espetáculo que Fernanda e Jonas vivenciaram nesse dia, principalmente porque era a realização de um sonho.
Quando a Fernanda me procurou, a ideia inicial do livro seria contar a história de uma super-heroína, houve mudanças ao longo da elaboração da história, mas achei muito importante retratar nessa página a Alice sendo o que ela sempre foi, lutadora e vencedora, uma verdadeira super-heroína.
A mágica do desenho e da imaginação é poder modificar o real e escolher cada detalhe do personagem, mas não foi o que eu fiz. Não mudei o real, quis que cada detalhe da Alice estivesse presente, a sonda, a marca da traqueostomia, a cicatriz que ela adquiriu em uma das cirurgias. Queria que tudo estivesse presente.
Na sexta página, onde começamos a contar sobre a última internação da Alice, todas as ideias que tinha eram muito fortes para um livro infantil. Então na tentativa de suavizar a ilustração, a Ana Paula que também foi a revisora do texto, sugeriu que desenhasse um hospital.
Esse desenho foi a Fernanda quem deu a ideia, pois ela e Jonas sempre se uniam em oração independente de como a situação estava, sempre rezando pela recuperação de Alice, torcendo por ela e confiando nos planos de Deus. Jonas estava sempre com um terço na mão no hospital.
Confesso que pra mim foi o desenho mais difícil de todos. Eu coloquei totalmente meus sentimentos na ponta do lápis, fiquei triste, chorei, senti alívio, felicidade. Esse desenho onde retrato meu tio Tõezinho, partiu de uma foto minha com ele, na roça que ele amava. Como ele não chegou a conhecer Alice, desde o primeiro contato com a história e com as frases dessa página eu já sabia como desenhar os dois juntos no céu. Meu tio foi muito importante pra mim, assim como Alice.
Com certeza o desenho mais especial de todos foi esse, o mais carregado emocionalmente para quem esteve no velório, leu o livro e viu o desenho. A roupa que eu reproduzi e a raposinha que estava na mão dela no caminho para o Paraíso, foi a roupa que ela estava no dia em que se despediu de todos. Foi a roupinha ganhada da madrinha da Fernanda para ela usar no seu aniversário de 2 anos.
Nesse desenho achei importante retratar a diversidade e a inclusão. Até mesmo considerando que um dos objetivos do livro, além de eternizar a história da Alice, foi ajudar a APAE.
O último desenho fala por si, Alice é a estrela mais brilhante do céu. E tem até uma estrela batizada com seu nome, presente da Ana e do Michel, amigos do Jonas e da Fernanda. Eles brincam que essa estrela tem a honra de se chamar Alice.
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