Sonhei tanto com ele, pedi tanto para levar minha filha para casa, eu não me imaginava mais sem ela, não imaginava não poder apresentá-la às pessoas e aos lugares que tanto amo.
E Deus nos presenteou com este momento. Eu passava horas olhando pra ela sem acreditar. E acho que todos estavam em êxtase.
Tivemos alta dia 03 de dezembro e logo na semana seguinte ela fez 4 meses, a levamos a missa pela primeira vez, que dia especial. Teve bolo da Maggie Simpson. Alice amava o bico e chupava ele igual a ela.
Ela ainda não sorria, mas seu olhar dizia tudo, ela estava onde sempre deveria estar. Cercada de amor e muita alegria.
Fizemos ensaio de Natal, que Alice só dormia, foi quase um newborn. Levamos ela pra conhecer a roça. E começamos a saga das terapias, fisio, fono, TO... todas elas muito carinhosas, que se tornaram família!
O Natal nos pegou surpresa, estávamos muito ansiosos para ter nosso momento em família, que tanto queríamos, mas Jonas pegou Covid e precisou ficar isolado. Fomos eu e Alice para casa dos meus pais, para protegê-la e lá passamos a noite de Natal. Antes fomos à missa e depois levamos salgadinho para o papai.
Ele pode vê-la tão linda de vestido vermelho e dar Feliz Natal de longe. Mesmo diante desta circunstância estávamos felizes, pois nosso bem maior estava entre nós, saudável e era isso que importava.
Logo nos dias seguintes ela começa a demonstrar intolerância alimentar, suspeitamos de APLV, alergia à proteína do leite de vaca, uma alergia comum em crianças que ficam muito tempo internadas, que logo se confirmou.
Ela tomava apenas o meu leite, que eu ordenhava e oferecia na mamadeira o tanto que ela queria e o restante na sonda. Então precisei cortar o leite da minha dieta.
Descobri que quase tudo nesta vida vai leite, mas mesmo assim, eu não queria deixar de dar o meu leite pra ela, sem contar no quanto a fórmula APLV é cara, rs
Tentei oferecer meu peito com a ajuda da V., mas Alice perdeu todo reflexo de sucção. Era um dos meu sonhos amamentá-la, mas em um dia daqueles no hospital não esqueço a V. me dizendo... "você está amamentando ela", do jeito que Deus quis, do jeito que foi possível. E assim segui até ela completar 8 meses!
No hospital só foi possível vestir roupa e dar banho nela com mais de três meses, então cuidá-la, fazer as coisas mais básicas era como sonhar acordada.
Os perrengues eram quase os de uma maternidade típica, não dormir, golfar, cólica, e a exaustão que te deixa sem paciência e depois te faz morrer de culpa. Não, não fui perfeita.
Minha licença maternidade começou somente depois da alta e como foi importante para nós estes dias. Aproveitamos muito esse tempo juntas, mas também não via a hora de voltar a trabalhar e me encontrar de novo como Fernanda. A volta ao trabalho deixou nosso tempo juntas ainda mais especial, aquele tempo de qualidade tão precioso.
Antes da volta realizei mais um dos grandes sonhos, batizá-la, foi tão emocionante. Ela estava tão linda. E também antipática, hahaha... Muito calor e muita impaciência! Continuava onça!
Entre todos esses acontecimentos, um dia na casa dos meus pais, meu pai me grita. Alice sorriu. Ninguém acreditou, mas ele chorando teimava que ela tinha sorrido para ele.
E em uma de nossas idas pra BH, sempre tinha alguma consulta lá, ela sorri pra mim. Ali foi como se o tempo parasse e ao mesmo tempo durou uma fração de segundo. Alguns dias depois disso ela aprendeu e não parou mais de sorrir.
Como era feliz minha menina. Sorria com a boca banguela, com os olhos e com a alma. Encantava a todos. Não tinha como ser triste perto dela.
Aprendeu a fazer um caminhão, que ninguém entendia como aquele coração e pulmão que diziam ser tão fracos, tinha tanto fôlego. Ah Alice, como surpreendia todo e qualquer diagnóstico.
Entre tantos acontecimentos, no dia 21 de abril de 2023, Alice realizou o grande sonho do papai, levar as alianças até o altar, mas até chegar lá, haja coração.
Não é que no dia do casamento, ela acorda febril, alguns episódios de vômito e uma tossezinha, mas quase na hora da cerimônia ela consegue entrar. Entrou dormindo, nos braços da vovó, tão linda... emocionou todos que estavam presentes.
Tivemos uma noite mágica, Alice ficou boazinha, bem quietinha e longe da confusão. Sempre tivemos muito cuidado com ela, pois sabíamos que sua saúde era frágil.
Foi um dia lindo, que ficará guardado para sempre em nossos corações.
Nos dias que se seguiram a tosse deu uma piorada e na segunda levamos ela para tirar uma radiografia, que resultou em 5 dias de internação. Bronquiolite. Depois de 2 dias de oxigênio, muitas bombinhas, ela como sempre surpreendendo, tirou de letra.
No hospital, tivemos um choque de realidade, a próxima cirurgia poderia estar próxima. Inicialmente falaram que seria no fim do ano, mas lá disseram que poderia ser nos próximos meses.
Pensar em enfrentar tudo aquilo novamente acabava com a gente, mas precisávamos ser fortes. E evitar pensar nisso nos ajudava. Voltamos para casa, para nosso sonho.
Seguimos trabalhamos nos seus pequenos ganhos, Alice mamava na mamadeira cada vez mais. Dos 150 ml que tomava na época, mamava cerca de 70 ml na mamadeira. Crescia e engordava cada vez mais. Com os seus 4 meses ela não tinha nem 4 kg e com 8 meses já era pura bochechas.
Contamos nossa história no Dia das Mães da Patrimonium, fizemos alguns passeios, e fomos muito felizes durante esses 8 meses dela em casa.
Dia 26 de julho internamos para fazer um cateterismo e em seguida a segunda cirurgia, já estávamos conformados que passaria o aniversário dela no hospital, mas não era esse o plano de Deus.
O cateterismo foi um sucesso e ela tinha condições de ir para a cirurgia, porém, enquanto aguardávamos a cirurgia, ela gripou e resolveram adiar a cirurgia.
Fomos para casa, tratamos a gripe, e pudemos passar seu primeiro e único aniversário em casa.
Não podíamos fazer festa, mas rezamos uma missa e fizemos um bolinho em casa. Quão especial e quisto por Deus foi este dia.
O tema foi Bolofofos, o desenho que ela mais amava, que foi seu companheiro nos dias que seguiram de hospital.
Alice estava tão feliz e radiante, acho que amava aniversários igual a mim.
Na semana seguinte, agendaram a cirurgia e lá fomos nós.






















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